Ambiente do setor

As economias emergentes impulsionam a indústria

Durante o ano de 2016, o crescimento econômico mundial foi ligeiramente menor que o de 2015 devido a um crescimento menor das economias desenvolvidas, principalmente dos Estados Unidos e, em menor escala, do Reino Unido e da zona do Euro, produto da incerteza causada pelo Brexit, enquanto as economias emergentes se mantêm com crescimentos semelhantes aos do ano anterior. Por sua vez, o setor aéreo mundial beneficiou-se com a queda do preço do combustível, que, em janeiro de 2016, chegou aos níveis mais baixos desde 2003, e cuja média situou-se em US$53,1/barril (Combustível de Aviação), 16,8% menor que o preço médio de 2015.

Em geral, o ano de 2016 foi um bom ano para o setor, o que se reflete no crescimento de 6,3% observado no tráfego de passageiros no período, superando o crescimento médio dos últimos 10 anos e atingindo níveis historicamente altos de fator de ocupação, com 80,5% no ano de 2016, o que significou uma melhora nos resultados operacionais e lucros do setor em âmbito mundial, os quais são calculados em US$35,6 bilhões (contra US$35,3 bilhões em 2015).

Em nível doméstico e regional, continuamos observando uma tendência no sentido do modelo low cost, no qual vemos uma segmentação maior dos passageiros de acordo com suas necessidades de viagem. Além disso, mantém-se a tendência do aprofundamento de alianças e acordos de cooperação entre as companhias aéreas do mundo, melhorando, assim, a conectividade para os passageiros.

Em relação aos diferentes mercados geográficos, as companhias aéreas norte-americanas foram as que tiveram os melhores resultados em termos de lucros, em virtude dos baixos do combustível, somado a uma forte demanda doméstica e à disciplina de capacidade dos operadores, elevando os fatores de ocupação aos níveis mais altos do setor, com 83,5%.

Na Europa, o crescimento da setor aéreo foi afetado vários ataques terroristas na região. Por outro lado, existe uma pressão competitiva maior por parte de companhias aéreas regionais e internacionais. Apesar disso, a partir do segundo semestre, as condições melhoraram em virtude da melhoria das expectativas macroeconômicas e do aumento nos níveis de confiança do consumidor, que levaram as companhias aéreas européias a obter lucros semelhantes aos de 2015.

A região da Ásia-Pacífico foi a segunda região que mais cresceu em termos de tráfego de passageiros (depois do Oriente Médio), impulsionada principalmente pelo aumento do tráfego regional. As companhias aéreas asiáticas tiveram lucros menores do que os de 2015, principalmente pela fragilidade do negócio de cargas, que começou a estabilizar-se durante a segunda metade do ano.

Na América Latina, durante o ano de 2016, as maiores economias da região (Brasil e Argentina) apresentaram retração, somada à fragilidade dos outros mercados locais e a uma desvalorização das moedas da região, afetando os resultados do setor aéreo durante o ano. Por outro lado, a partir do segundo semestre, começou-se a observar uma mudança de tendência, com melhorias nos resultados das companhias aéreas da região, além da melhoria das perspectivas macroeconômicas e da valorização das moedas. A América Latina foi a região mais disciplinada em termos de aumento de capacidade (+1,9% A/A), principalmente pelos ajustes realizados no mercado doméstico e internacional do Brasil. Em virtude disso, o setor aéreo obteve lucros de US$0,3 bilhões, contra um prejuízo de US$1,7 bilhão no ano de 2015.

Quanto ao negócio de cargas, o tráfego apresentou um crescimento de 3,8%, acima do crescimento de 2,2% em 2015. A partir do segundo semestre do ano, o negócio de cargas começou a observar um aumento na demanda, atribuído principalmente às regiões da Europa (+7,6%) e Oriente Médio (+6,9%). Por outro lado, o negócio de cargas na América Latina foi o de pior desempenho, apresentando uma queda de 4,2% no tráfego em virtude da queda das importações a partir do Brasil.

Em virtude da atual estrutura da setor e das perspectivas de aumento do preço do combustível, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) espera uma diminuição dos lucros do setor aéreo mundial durante o ano de 2017, alcançando US$28,9 bilhões e uma margem operacional de 6,6% (-1,7 pontos percentuais em relação a 2016). Essa queda seria explicada pelo aumento dos custos unitários, em parte pelo aumento esperado no preço do combustível, e por aumentos de demanda que não conseguirão absorver a oferta, fazendo com que os fatores de ocupação diminuam. É importante destacar que os fatores de crescimento do tráfego mundial em 2017 continuarão sendo as economias emergentes, principalmente da Ásia-Pacífico, do Oriente Médio e da América Latina. Essa tendência se manterá nos próximos 20 anos, devido às projeções de crescimento econômico dessas regiões e à baixa penetração do transporte aéreo em seus países.