Mensagem de abertura

CARTA DO PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO MAURICIO ROLIM AMARO

Prezados acionistas,

O ano de 2016 caracterizou-se por um período de baixo crescimento para os países da América Latina e o Caribe, que tiveram uma redução do Produto Interno Bruto regional da ordem de 1,1%, conforme os dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Ressalte-se que a região já vinha de uma contração de 0,4% na sua economia.

A América do Sul foi a sub-região mais afetada, com uma queda projetada de 2,5% do PIB em 2016. No biênio de 2015/2016 o Brasil foi o responsável pelo maior impacto negativo sobre a atividade econômica de toda a região. O PIB do país caiu 3,8% em 2015 – maior queda da história da série – e 3,6% em 2016, configurando a maior queima de riqueza da história do Brasil.

O Brasil vem atravessando uma das maiores crises políticas da sua história, com as reverberações do impeachment da ex-presidenta da República amplificadas por uma ação de combate à corrupção, a Operação Lava Jato. Como resultante, o setor privado adotou estratégias defensivas, postergando os investimentos, ampliando o desemprego e reduzindo a reposição de estoques nas fábricas, o que contribuiu de forma aguda para a persistência da recessão em 2016.

Apesar do desempenho sofrível da economia brasileira,  é relevante destacar que foram iniciadas pelo governo políticas corajosas voltadas ao equilíbrio das contas públicas e reformas estruturais, iniciativas sancionadas pelo mercado, que não só tem aprovado as medidas, como reviu suas projeções favoravelmente  também para 2018.

Portanto, podemos afirmar que o Brasil está saindo de uma séria turbulência para um vôo mais estável, apontando para um crescimento ainda modesto do PIB, mas com efeito altamente positivo para a economia de todo o continente.

Uma das criativas e renovadoras ações empreendidas pela companhia ao longo do ano, foi a concepção de um novo modelo para redução dos custos do transporte de passageiros. Nele, os clientes podem escolher voar pagando por serviços adicionais de acordo com suas necessidades. Essa iniciativa nos colocará em condições competitivas com quaisquer de nossos concorrentes, e pode representar um aumento de 50% no volume de passageiros nos próximos anos.

Na área da sustentabilidade, cuja adesão e aprimoramento são condições necessárias para a disputa dos mercados, estamos avançando rapidamente em novas práticas e aprimoramento de antigas, com objetivo de manter uma posição de liderança e criar os alicerces para sua perenização. Um reconhecimento estimulante foi a nossa inclusão no Dow Jones Sustainability Index pelo terceiro ano consecutivo como uma das empresas líderes em sustentabilidade, com base em critérios econômicos, sociais e ambientais.

A nossa estratégia de longo prazo não mudou. Ela pode ser mencionada com três pontos cardinais: um continente, uma grande rede de destinos e uma marca. Esse três pontos são interligados por premissas comuns: ser mais simples, mais eficiente e mais competitivo.

Na LATAM, a atenção permanente a necessária redução de custos, buscando a substituição de processos e equipamentos que tenham se tornados onerosos e improdutivos é um requisito imperativo.  A reestruturação de nossa frota permitiu uma redução de US$ 2,2 bilhões nos últimos 12 meses já projetada até 2018. No Brasil, onde estamos implementando mudanças intensas devido a importância daquele mercado para a companhia, a diminuição da capacidade de vôo alcançou 12% em 2016, preparando as bases para uma retomada do mercado.

Todos os percalços surgidos nesse período difícil para a economia do nosso continente e particularmente para o setor de aviação civil somente reforçam a minha convicção de que a união da TAM e LAN não poderia ter sido mais acertada. Tenho enorme orgulho de ter participado na construção desta grande companhia, que representa um marco  na história da aviação . Acredito que foi a experiência mais importante da minha vida profissional e empresarial. Não fosse a criação da LATAM o vento da crise poderia estremecer a estrutura das empresas fundadoras e desviá-las para rotas não vencedoras.

Na LATAM, a minha história teve um reinício. A começar pelos meus amigos e sócios, a família Cueto, seguindo pelos executivos e profissionais das diversas áreas, egressos da TAM e da LAN, ou que se somaram posteriormente a nós. Foram relações engrandecedoras sob todos os ângulos – empresarial, laboral e afetivo. Aprendi muito. Acredito que colaborei bastante também. Colaborarei sempre. Mas para a LATAM, renovação é a primeira palavra do nosso estatuto informal, da nossa convicção de acionistas e gestores, do princípio que rege a filosofia da empresa.

Mauricio Rolim Amaro
Presidente do Conselho de Administração Grupo LATAM

CARTA DO CEO ENRIQUE CUETO

Prezados acionistas,

O ano de 2016 será lembrado como um dos mais desafiadores da história da nossa Companhia, no qual continuamos com o trabalho iniciado nos últimos anos de nos adequarmos a um ambiente volátil. Começamos grandes mudanças e projetos de enorme importância, para que possamos enfrentar melhor o novo cenário da indústria aérea global e a desaceleração das economias latino-americanas.

Buscamos nos consolidar como o grupo de companhias aéreas líder na região, unificando o continente com uma vasta rede de destinos e uma única marca: LATAM. Guiados por esta visão de longo prazo, estamos orgulhosos do sucesso alcançado com o lançamento da marca LATAM, que combina o melhor de LAN e TAM, oferecendo ao cliente uma única imagem.

A fim de seguir fortalecendo a nossa malha aérea, mesmo com as modestas taxas de crescimento da região, inauguramos 14 novas rotas durante 2016 e anunciamos outras oito para este ano, um recorde para o Grupo LATAM. Dentre os novos destinos lançados, quatro buscam conectar a região com o resto do mundo: Puerto Natales, Jaén, Washington D.C. e Joanesburgo. Com este último, nos tornamos a  única companhia aérea da América Latina a conectar diretamente o continente com a África.

Além disso, comprometidos com a ampliação da nossa malha aérea e da conectividade da América do Sul, seguimos avançando com as aprovações dos Joint Business Agreements com o IAG (grupo controlador da British Airways e da Iberia) e com a American Airlines, para que possamos conectar cada vez mais pessoas da América Latina com o resto do mundo. Estamos convencidos de que estes acordos comerciais reforçarão a conectividade da nossa região, oferecendo acesso a uma rede  de destinos maior, com mais voos, melhores tempos de conexão e preços mais baixos; além de contribuir para o fortalecimento do turismo em nossa região, promovendo a chegada de mais turistas dos EUA e da Europa.

Durante 2016, trabalhamos na geração de uma das mudanças mais relevantes para a Companhia e que terá um grande impacto em nossos clientes, que é a renovação do modelo de viagens nos seis mercados domésticos onde operamos. O novo modelo, que já está sendo implementado em alguns mercados de forma gradual, permite que os nossos clientes escolham como voar, pagando somente pelos serviços adicionais que usarão. Desta forma, poderemos oferecer tarifas até 30% mais econômicas, permitindo que mais e mais pessoas possam utilizar o avião como meio de transporte, e também que aqueles que já o utilizam possam voar mais vezes. Tudo isso com uma nova experiência digital, em que o próprio passageiro poderá utilizar seu telefone celular para controlar a viagem. Além de beneficiar os nossos clientes, esta mudança nos permitirá competir com companhias aéreas de baixo custo que eventualmente entrarão em operação em alguns países da região, além de resultar em um aumento de 50% no número de passageiros até 2020. Isto deve consolidar o avião como um meio de transporte massivo na região, impulsionando o crescimento econômico dos mercados onde a Companhia opera.

Os últimos três anos foram muito desafiadores. Apesar disso, e graças ao trabalho que realizamos durante este período, pudemos ver uma melhoria significativa na nossa rentabilidade, registrando em 2016 uma margem operacional de 6% e o primeiro resultado líquido positivo dos últimos cinco anos. Esta melhora na rentabilidade em um ano difícil revela a resiliência do nosso modelo de negócio e demonstra que estamos no caminho certo com as iniciativas e estratégias que escolhemos. Os bons resultados, em conjunto com a reestruturação do nosso plano de frota e o fortalecimento do nosso balanço, foram reconhecidos pelo mercado financeiro e estão refletidos na recuperação de 53% na cotação das ações da LATAM durante o ano.

Para finalizar esta mensagem, eu quero agradecer a nossa equipe pelo trabalho realizado este ano. Sem seu compromisso e dedicação, não teria sido possível promover as grandes mudanças em curso. Também quero fazer um agradecimento especial aos nossos acionistas, tanto os novos quanto os antigos, pela paciência com a qual têm enfrentado os desafios dos últimos anos, por seu apoio durante este período de ajustes importantes, e pela confiança no nosso projeto. O desafio que nos mobiliza é manter a nossa posição de liderança na indústria, fortalecer nossa posição financeira e assegurar a nossa sustentabilidade em longo prazo. É por isso que eu convido todos aqueles que fazem parte da família LATAM a seguirem confiando neste projeto e a continuarem avançando juntos em direção a este objetivo.

Enrique Cueto
CEO do Grupo LATAM